Textos
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Quem sabe, um dia ...
Acordei cedo, olhei em volta e não vi ninguém. Levantei, abri a porta de vidro e o mar estava ótimo. Gritei pra ver se você estava em casa, mas nenhum sinal. Fui até o quarto do nosso filho e ele dormia como um anjinho. Desci as escadas, fui até a sala, liguei a tv e não estava passando nada de bom. Peguei um livro e decidi deitar na rede, debaixo dos coqueiros que plantamos quando viemos morar nesta casa.
Quando abri o livro, achei uma foto nossa, de quando nos conhecemos, sentados na areia da praia no fim de tarde. Você e seu lindo sorriso que não muda, e eu com a minha cara de boba apaixonada. Lembro de tudo que nós conversamos naquele dia, você me contando seus planos e eu rindo de suas maluquices, e não conseguia parar de te olhar nos olhos. Depois daquela tarde eu não parei mais de pensar em você, sonhava com você todas as noites e imaginava todas as coisas que queria que fizéssemos juntos. Tantas coisas aconteceram, tantas vezes nós estivemos afastados e eu achei que nunca mais iriamos nos ver. Tantas vezes tentei te esquecer, acreditar que o que havia existido entre a gente não passava de um instante. Mas se a linha do seu destino tinha cruzado a minha, eu tinha certeza que nem que fosse aos 99 anos, nós estaríamos juntos de novo.
Estávamos tão diferentes daquele dia que nos conhecemos. Meu cabelo havia crescido e você já tinha abandonado seus cachinhos de anjo. Meus planos eram totalmente diferentes e você já começava a por em prática os seus. Em algumas coisas nós ainda concordávamos, continuávamos gostando das mesmas bandas de reggae e de praia, e de falar sobre o futuro. Eu estava morrendo de saudade de te abraçar, e sentir seu cheiro. Não sei como aguentei passar tanto tempo sem ouvir a sua voz, sem segurar na sua mão, sem sentir meu coração tão acelerado, de um jeito que ninguém conseguia deixá-lo.
Depois de um reencontro tão feliz, precisei deixá-lo outra vez. Precisava correr atrás dos meus sonhos, por em prática os meus objetivos, assim como você fazia com os seus. Sofri por estar longe, sonhei com o nosso novo reencontro que nunca chegava, e desisti de você. Nunca mais ouvi falar de você, e até preferia que ninguém comentasse comigo sobre esse assunto. Tranquei à 7 chaves o meu coração e prometi para mim mesma nunca mais amar ninguém desse jeito, pra não passar por tudo de novo.
Muito aprendi, conquistei tudo que eu havia planejado, estava feliz mas ainda me faltava você. Ainda ouvia aquela música que me fazia lembrar de você, que me fazia viajar olhando a lua e perguntando onde você estava.
Chegou o dia do show da banda que nós gostávamos e eu não poderia deixar de ir, encontrei vários amigos lá e não via a hora de começar. Cantei as músicas que me lembravam aqueles dias de verão que passamos juntos e ao ouvir o toque do início da nossa música, fechei os olhos e chorei, pedindo a Deus que realizasse esse desejo, de te encontrar, te abraçar e te beijar de novo. E ao abrir os olhos, cantando o refrão, me vi de novo naquela cena em que nos conhecemos, seus olhos brilhando encontrando os meus, e aquele seu sorriso lindo, bem diante de mim. Pedi a Deus, e ele me atendeu, não existia nada melhor do que estar junto de ti, como se nunca estivéssemos separados, e ... senti um beijo em meus lábios, era você olhando pra mim com aqueles olhos negros, dizendo que amava me ver sorrir enquanto dormia, mas que o nosso bebê estava chorando, me esperando em nossa casa.
8G.
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