Textos
sexta-feira, 25 de maio de 2012
A felicidade se encontra nas coisas mais simples da terra
Sentado na areia, admirando a força das ondas, recordava-me dos meus tempos de menino. Puxando a rede com o meu pai, levando tudo na brincadeira, me divertia como se o mundo fosse outro, como se não existissem problemas. O único problema que me aparecia era "não dar peixe", mas meu pai sempre me dizia que no próximo dia Deus nos presentearia com a rede cheia.
Quando criança eu conseguia ver a beleza das coisas com mais facilidade. Não esperava ações de outras pessoas pra ficar feliz, ou desiste facilmente de algum objetivo. Sonhava em ser veterinário, médico, ou quem sabe apenas seguir os passos do meu pai. Morria de medo de dentista, de vacina e de álcool iodado. Vivia aprontando na rua, empinando pipa, subindo em pé de manga e tomando banho de mar na prainha. Coisas simples que hoje eu não dou valor.
Ás vezes chego em casa cansado, depois de um dia estressante de trabalho e não tenho paciência para ouvir o que o meu filho quer me contar. Finjo em meio a alguns monossílabos que respondo, interesse na história do menino. Nos piores dias chego a pensar "como ele vem me falar de barcos de papel com tantos boletos que tenho para pagar?", é aí que apita o meu alerta, dizendo que há algo muito errado comigo. Desperto de uma viagem amargurada entre minhas dificuldades financeiras e então o chamo para perto, bagunço seus cabelos como sempre e o encho de abraços. Após alguns minutos de conversa, percebo o quanto ele se sente feliz com a importância que dou para sua tarefa da escola, quantas letras ele teve que sublinhar para aprender a escrever algumas sílabas neste dia.
Lá no meu tempo de criança, meu pai teve muita paciência em me ensinar o que ele fazia, e não se aborrecia se eu jogava a "tarrafa" embolada, dando bastante trabalho depois para desfazer o mal feito. Sei que é inviável ensinar ao meu filho todas as contas que preciso fazer hoje, e sei que ele não ia se interessar, mas ao menos preciso dar atenção ao que ele me propõe. Me perder entre suas tarefinhas e esculturas de massinha de modelar é uma forma de voltar ao passado, tentar reviver a minha infância, e tentar ver a vida de uma forma que só quem é pequeno consegue enxergar.
Vivemos cada dia buscando a felicidade, sem saber que ela está bem debaixo do nosso nariz, entre um sorriso de alguém que amo e uma música que toca no rádio e me lembra a minha família. Cada gota que cai do céu tem um por que, um motivo exato. E por isso devemos ficar felizes, pois sempre haverá saída, um caminho direto para onde almejamos em nossas vidas, com todos os nossos desejos realizados.
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